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5 €
PINTIA
CAMPAÑA XXVI
GRAVURAS DEL CÔA
Idade do Ferro
TARIEGO DE CERRATO
CIU
dade
S V
a
CC
ea
S
ORFEBRERÍA VACCEA
ERAS DEL
BOSQUE
e
N
e
L MUS
eo
de
G
ra
N
ada
60
9
VACCEA
ANUARIO
A
as gravuras da Idade do Ferro no Vale do Côa
Arte rupestre no limite
ocidental da Meseta
O
Vale
do
Côa
situa-se
no
ex
tre-
mo
ociden
tal
da
Meset
a
Ibérica,
no
in-
terior
nort
e
de
Portug
al,
a
cerc
a
de
20
quilómetr
os
da
fron
teira
com
Espanha.
O
rio
Côa
defin
iu
mesmo
a
fron
teira
entr
e
os
reinos
de
Portug
al
e
de
Leão
e
Cast
ela
at
é
1297,
quando
o
Tr
atado
de
Alcañices
passou
a
fron
teira
para
o
rio
Águeda.
Est
a
realidade
hist
órica
re
flete
o
fact
o
de
o
Baixo
Côa
se
localiz
ar
muito
pró
ximo
do
limite
ocident
al
da
Meset
a
Ibérica,
aqui
definido
pela
grande
falha
geológic
a
que
vai
desde
a
Serra
da
Es-
61
9
VACCEA
ANUARIO
trela
(Portugal)
at
é
Puebla
de
Sanabria
(Espanha).
Imediat
amente
ant
es
do
fim
dest
e
acident
e,
o
rio
Côa
foi
esca
vando
um
vale
profun
do,
com
cerc
a
de
400
metr
os
de
desnível
em
relaç
ão
ao
pla-
nalto
circundan
te
do
final
da
Meset
a,
definindo
assim
uma
barr
eira
na
tural.
Foi
nest
a
região
que
em
1991
começ
ou
a
ser
descobert
o
o
maior
conjun
to
de
arte
paleolítica
ao
ar
livre,
quando
se
cons
truía
aí
uma
barrag
em
hidroelé
trica
que
iria
submergir
todo
o
vale.
A
int
ervenção
dos
portugueses
e
da
comunidade
científic
a
int
ernacional
fe
z
com
que
o
proje
to
fosse
abandona-
do,
e
a
arte
rupestr
e
foi
inscrita
na
List
a
de
Pa
trimónio
Mundial
da
UNESC
O
em
1998.
Mas
se
a
arte
do
Côa
é
conheci-
da
sobre
tudo
por
se
tra
tar
do
mais
im-
port
ante
conjun
to
de
arte
paleolítica
ao
ar
livr
e
do
mundo
,
ela
apresen
ta
outras
fases
artístic
as,
que
chegam
at
é
ao
sé-
culo
XX.
Um
dos
conjun
tos
mais
impor-
tan
tes
é
a
arte
rupestr
e
da
Idade
do
Fe
-
rro,
que
cons
titui
hoje
a
segunda
mais
rele
vante
fase
artístic
a
da
arte
rupestr
e
do
Vale
do
Côa,
identific
ada
em
46
nú-
cleos
de
arte
distin
tos,
num
tot
al
de
455
rochas
gra
vadas
(Reis
2014).
Contudo
,
a
importância
da
arte
paleolítica
será
o
principal
fa
tor
que
lev
a
a
que
se
tra
te
de
uma
arte
em
grande
medida
ainda
desconhecida.
Apesar
dos
av
anços
na
prospeç
ão
e
da
identific
ação
de
nov
os
painéis
e
sítios,
que
têm
vindo
a
ser
pe-
riodic
amente
apresen
tados
(Reis
2012,
2013
e
2014),
do
re
gistro
gr
áfico
de
cinco
dez
enas
de
painéis
gra
vados
e
da
document
ação
fot
ográfica
re
alizada
por
Mário
Reis,
parcialme
nte
disponív
el
na
página
int
ernet
da
Fundação
Côa
Par
que
(http://w
ww.arte-coa.pt),
a
esmagador
a
maioria
dest
as
rochas
con
tinua
inédita.
A
partir
dos
poucos
dados
publicados,
for
am
já
apre
sentadas
algumas
ten
ta-
tivas
de
int
erpretação
dest
as
re
presen-
tações
(Luís
2008,
2009
e
2010),
que
aqui
r
etomamos.
Por
falt
a
de
inv
estigação,
o
nosso
desconhecimen
to
est
ende-se
também
ao
con
texto
regional
da
ocupação
hu-
Localização
da
arte
rupestre
do
Vale
do
Côa
no
limite
ocidental
da
Meseta
Ibérica.
Os
números
corr
esponde
aos
sítios
do
rio
Sabor
,
r
eferidos
no
t
exto
(1.
V
ale
de
Figueir
a;
2.
Cas
telinho;
3.
Cr
estelos).
Localização
dos
v
estígios
de
art
e
rupes
tre
e
ocu
-
pação
humana
da
Idade
do
F
erro
e
R
omanização
no
V
ale
do
Côa.
as gravuras da Idade do Ferro no Vale do Côa
62
9
VACCEA
ANUARIO
as gravuras da Idade do Ferro no Vale do Côa
mana
con
temporânea
da
arte.
Apesar
disso,
o
pov
oado
fortific
ado
de
altu-
r
a
parece
con
tinuar
a
ser
o
cen
tro
do
pov
oamento,
com
alguns
pov
oados
fortific
ados,
cuja
cronologia
é
ainda
incerta,
localiz
ados
no
cimo
de
rele
-
vos,
nem
sempre
muito
acentuados,
junt
o
a
zonas
agrícolas
e
associados
a
ve
stígios
romanos
localiz
ados
no
sopé
des
tas
elev
ações
(Mont
e
Meão
,
Mont
e
do
Cast
elo,
Cast
elo
dos
Mouros).
Par
a
além
desses
pólos
concen
tradores
de
pov
oamento,
outro
tipo
de
assent
a-
mentos,
mais
ligados
às
tar
efas
quo-
tidianas
e
mais
invisív
eis
arqueologi
-
camente,
car
acterizariam
a
ocupação
regional
(Folhal
2).
Estudos
rece
ntes
a
norte
do
Côa,
no
vale
do
Sabor,
vie-
r
am
compr
ovar
est
a
dualidade
no
po-
v
oamento
regional,
salien
tando-se
a
esca
vação
do
pov
oado
fortific
ado
do
Cast
elinho
(Sant
os
et
al.
2012),
bem
como
em
Cre
stelos,
com
zona
fortific
a-
da,
mais
alta,
e
uma
outra,
localiz
ada
no
sopé,
com
estrutur
as
habitacionais,
post
eriormente
romaniz
adas
(Sastr
e
2014).
Em
ambos
os
sítios,
for
am
iden
-
tificadas
cer
ca
de
500
e
100
placas
gra
-
vadas
com
arte
móv
el,
respe
tivamente,
com
grande
s
semelhanç
as
com
a
arte
rupestr
e
do
Côa.
O
fact
o
de
ter
em
sido
iden
tificadas
em
con
texto
arqueológic
o
torna-se
numa
re
ferência
cronológic
a
fundament
al
para
a
dat
ação
da
arte
do
Côa.
No
Sabor
for
am
ainda
iden
tifica-
dos
painéis
com
arte
rupestr
e
sidéric
a
no
Vale
Figueira
e
junt
o
a
Cre
stelos
(Ne
-
ves
&
Figueiredo
2015).
Tan
to
no
Côa
como
no
Sabor,
desc
onhece-se
qual-
que
r
necr
ópole.
A
arte
rupestr
e
da
Idade
do
Fe
-
rro
do
Vale
do
Côa
rec
orre
ao
mesmo
tipo
de
painéis
ve
rticais
de
xist
o
uti-
liz
ado
pela
res
tante
arte
rupestr
e
do
vale
,
partilhando
mesmo
muitos
deles,
sobre
tudo
com
a
fase
final
da
arte
pa-
le
olítica.
A
arte
do
Ferr
o
localiz
a-se
so-
br
etudo
em
torno
da
con
fluência
do
rio
Côa
com
o
Douro
e
em
ambas
as
mar-
gens
des
te,
para
mont
ante
e
jusant
e,
bem
como
,
em
menor
medida,
para
o
int
erior
cur
so
do
Côa.
P
ara
além
dos
aflor
amentos
ro
-
chosos
de
xist
o,
for
am
ainda
iden
tifi-
cadas
duas
placas
móv
eis
com
motivos
da
Idade
do
Ferr
o,
em
zonas
onde
se
iden
tificam
ve
stígios
arqueológic
os
ro
-
manos
(P
aço
e
Oliv
al
dos
T
elhões).
A
técnic
a
predominan
te
de
re
-
presentação
é
a
gra
vura
com
recur
so
a
instrumen
to
met
álico,
a
julgar
pela
análise
macrosc
ópica
dos
traç
os
gra
va-
dos
com
perfil
em
U,
conjug
ada
com
a
inv
estigação
e
xperimental.
A
for
ça
apli-
c
ada
no
at
o
da
gra
vação,
e
ev
entual-
mente
o
tipo
de
utensílio
empregue,
faz
com
que
est
a
técnic
a
simples
apre
-
sente
grande
s
variaç
ões,
desde
figuras
profundame
nte
gra
vadas,
como
a
placa
do
Paç
o,
at
é
lige
iros
dese
nhos,
que
se
mat
erializam
não
pela
gra
vação
de
um
sulco
na
rocha,
mas
por
uma
lige
ira
ras
-
pagem,
criando
um
con
traste
cromá
ti-
co
entr
e
a
linha
clara
e
a
superfície
mais
escura
do